Herbert Simon foi um célebre economista norteamericano, vencedor do prêmio nobel e um importante autor da área de administração, sendo o livro Comportamento Administrativo uma de suas principais obras.
Herbert Simon, economista norteamericano
É tido por vezes entre os estudiosos de sua obra como uma espécie de “sociólogo matemático” — uma definição que ele próprio parecia ter inclinação a aceitar —, pelo fato de que suas tentativas de resolver problemas sociológicos tendiam sempre à demonstração lógica, à análise de dados estatísticos e principalmente a uma visão crítica a respeito do modo como os cientistas em geral lidam com o fator da informação, sendo a tecnologia da informação objeto de alguns dos seus mais importantes estudos.
Temos por exemplo na conferência “Designing Organizations for an information-rich world”[1], de 1971, seu importante conceito de Economia da Atenção consagrado na seguinte explicação:
“Uma era rica em informação provoca a escassez do que ela consome. E o que ela consome é óbvio, é a atenção de seus receptores”. (p. 40)
Uma enorme gama de informação cria pobreza de atenção e uma necessidade de alocá-la eficientemente entre a superabundância de fontes de informação que possam vir a consumi-la.
Ele pondera que se um sistema de informação de grande capacidade, como o computador por exemplo, vai ser parte da solução da superabundância de informação, ou parte do problema, depende da distribuição da sua atenção entre quatro classes de atividades: escutar, alocar,pensar e falar.
Será parte da solução em uma organização se ele absorve mais informação do que produz, se ele “escuta” e “pensa” informações mais do que ele fala. (p. 42). Para citar apenas uma das muitas considerações sobre a problemática da Economia da Atenção que este estudo suscita.
Nos dias de hoje, uma enorme gama de profissionais como cientistas de dados, publicitários, especialistas em marketing, empreendedores de uma maneira geral, podem encontrar nos estudos de Simon base conceitual para refletir sobre panoramas inteiros da Era da Informação como a transição que houve da web 1.0 para a 2.0, bem como da 3.0 para a iminente 4.0, além de temas como SEO (otimização para motores de busca), a otimização de desenvolvimento de aplicativos móveis, as estratégias de marketing para as redes sociais etc.
“Em um mundo rico em conhecimento, o progresso não está na direção de ler e escrever informação ou alocá-la mais. O progresso está na direção de extrair e explorar padrões para que menos informação precise ser lida, escrita ou alocada. O progresso depende de nossa habilidade em desenvolver melhores e mais poderosos programas de pensamento para o homem e para a máquina” (p. 46-47).
‘O que você tem feito para o progresso do seu conhecimento pessoal, ou ainda daquele exercido no âmbito de sua organização ou atividade profissional?’
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A obra introdutória do intelectual paulistano Fernando C. P. Motta é matéria indispensável ao estudioso da Administração, ou ainda aos estudantes de modernas graduações tecnológicas correlatas e dependentes da área. De maneira cuidadosa e pedagógica, situa o leitor nas correntes administrativas vigentes ao longo das história; traz ponderada crítica e comparação entre os enfoques prescritivos — Administração Científica e Relações Humanas — e os explicativos, a saber, Behaviorismo, Estruturalismo e Abordagem dos Sistemas Abertos, fornecendo-lhe ainda uma referência bibliográfica que possibilita a aquisição de um conhecimento de tipo quase enciclopédico da Administração.
A exposição dos mencionados enfoques é suficientemente articulada com conhecimentos psicossociológicos indispensáveis ao administrador, uma transdisciplinaridade da qual o estudante apreende as noções sobretudo ao tomar contato com ensinamentos de figuras como Weber, Marx, Robert K. Merton etc., cujas obras não constam na bibliografia selecionada mas têm seus pensamentos expostos de passagem, oportunamente, para que o leitor os frequente e avance nessa dimensão tão cara à Administração.
Destaca-se a “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, de Weber, além de toda obra de Marx, não citada nas notas de rodapé, mas de grande importância nessa articulação.
O livro, de 1989, é atual e relevante em muitos aspectos, com exceção na relação entre tecnologia e administração, da qual obtém-se uma certa noção com as pesquisas do grupo de Aston, que todavia não dá conta das realidades de hoje da tecnologia da informação e sua consequente influência na formulação e reformulação do pensar administrativo. Ainda assim, um clássico para o administrador sempre revisitar, reorientar-se intelectualmente; e encontra-se o motivo razoável para estudá-lo nas palavras do próprio prefácio:
“O estudo da evolução de uma teoria, de suas expressões diversas e variadas, de acordo com as influências que a todo momento recebe, não são da realidade em mudança, mas igualmente dos demais campos do conhecimento, é uma experiência fascinante.”
Fernando C. P. Motta
Referência:
MOTTA, Fernando Claudio Prestes. Teoria geral da administração: uma introdução. 15. ed. São Paulo: Pioneira, 1989. 212 p. (Biblioteca Pioneira de Administração e Negócios).
De maneira cada vez mais frequente, há no empreendedorismo a necessidade de estudos multidisciplinares a fim de se produzir soluções inovadoras para a sociedade. A perspectiva crítica a respeito do uso da tecnologia aliado à responsabilidade com as questões sociais, que o estudante adquire em disciplinas como sociologia das organizações e gestão ambiental, conscientiza-o ainda mais desse caráter multidisciplinar do empreendedorismo, que o torna um atuante tanto teórico quanto prático, que deve buscar um olhar de um cientista preocupado com as tensões políticas e sociais de seu momento, bem como o de um produtor de tecnologia motivado a gerar riquezas.
Para aprimorar essa busca, a dica de leitura de hoje é Ciência, Tecnologia e Sociedade — desafios da construção do conhecimento, organizado por Wanda A. M. Hoffmann[1].
O livro é dividido em quatro partes: Educação e Informação Tecnológica, na qual se tem reflexões sobre a educação CTS e as metodologias de ensino e aprendizagem, estudos sobre comunicação e democracia digital, a estratégia dos governos FHC e Lula para o desenvolvimento do ensino superior, entre outros artigos; Gestão e Empreendedorismo, na qual há estudos sobre o modelo de gestão de parceria público-privada em hospitais na perspectiva CTS, sobre gestão de desafios (envolvendo temas como conhecimento, inovação e sustentabilidade) e sobre a importância da manutenção aeronáutica para a sociedade; Tecnologia, Ambiente e Sociedade, que aborda apontamentos para uma leitura CTS em Marx, estudos sobre as empresas de base tecnológica de São Carlos, economia solidária e cooperativa de catadores, entre outros artigos; por fim, Ciência, Sociedade e Linguagem, na qual há estudos sobre o discurso das ciências do autismo e uma análise comparativa entre o jornal nacional na tv e na internet.
O livro é de grande importância ao empreendedor para a aquisição de novos conhecimentos, pois há apresentação de um panorama geral do campo CTS no mundo e um detalhamento, contendo diversos gráficos e dados estatísticos, sobre como este campo progride no Brasil, sem esquecer ainda que traz ao estudioso um amplo conhecimento da situação particular da cidade de São Carlos, a referida capital da tecnologia, no que concerne à distribuição das empresas de base tecnológica, às áreas de concentração das atividades de ensino e pesquisa, à implantação de tecnologias de reciclagem por cooperativas de catadores, entre outros estudos que muito podem contribuir para a visão empreendedora a respeito da cidade. Indispensável.
Referências:
HOFFMAN, Wanda Aparecida Machado (Org.). Ciência tecnologia e sociedade: desafios da construção do conhecimento. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2011. 312 p. ISBN 9788576002321.
O trabalho relativamente novo (2013) do consagrado geógrafo Milton Santos traz consistentes reflexões sobre o processo da globalização, tratando do modo como ela tem sido produzida, da perversidade que envolve a tirania da informação e do dinheiro, que resulta em competitividade desprovida de compaixão, em consumo aliado a seu despotismo e na confusão dos espíritos, dentre outros termos empregados pelo autor com precisão cirúrgica, como não poderia ser diferente, já que discursou com autoridade e desprezou o cumprimento de certas obrigações acadêmicas rituais ou, em suas palavras, dispensou o “cerimonial de referências”.
Não obstante, em meio a suas críticas ferozes aos atores sociais que a produzem na perversidade, apresenta uma possibilidade efetiva de construção de um outro mundo, através de uma globalização humanizada, pois argumenta que no cenário atual há bases materiais como a unicidade da técnica, a convergência dos momentos (o conhecimento do “outro” que, em ambientes virtuais, verifica-se principalmente nas redes sociais) e o conhecimento do planeta. No plano empírico, sustenta o autor, há fatos indicativos da emergência de uma nova história: observa-se enorme mistura de povos, raças, culturas e gostos em todos os continentes; e, graças aos progressos da informação, tem-se uma maior gama de filosofias, não mais estando o racionalismo europeu no centro.
Todavia, observados esses fatos e ainda encontrando-se a humanidade em um período técnico-científico tal que é possível produzir materiais em laboratório como verdadeiros frutos da inteligência humana, capaz de conceber com precisão os materiais antes de sua elaboração, a dupla tirania supramencionada do dinheiro e da informação continuam demasiado poderosas, criando enganos como a “aldeia global“, a aparente ideia de que a sociedade está razoavelmente informada e um novo ethos, ou seja, um novo conjunto de costumes fortemente influenciado pela competitividade, sugerida pela produção e pelo consumo em seus aspectos negativos, o que torna-se fonte de novos totalitarismos.
Pode-se perguntar: qual o verdadeiro peso desses fatores? O que se dizer precisamente sobre o fator da informação? Há realmente possibilidade de totalitarismos vindos de atores sociais que detêm enorme poder?
Para não estender aquilo que não se propõe a ser uma exposição cabal a respeito do assunto, mas antes um breve estudo que suscita reflexões e perguntas, pode-se verificar quão sérias são suas preocupações relativas à informação no contexto da iminente web 4.0, por exemplo — caracterizada pelo escritor e orador de negócios americano Seth Godin em 2007 como um ambiente que envolve um cliente de e-mail inteligente a respeito do que o usuário e sua rede de colegas fazem, o uso daquilo que se conhece hoje como smartphone, um processador de textos que relaciona o que o usuário escreve ao que consta na web de informações a respeito e redes que eliminem o anonimato onde quer que se esteja[2] —, no qual não faltam casos de gigantes das redes sociais que exercem tal tirania descrita pelo geógrafo, a ponto de muitas vezes a própria crítica especializada corrente ser incapaz de acompanhar e descrever.
Esta, as mais das vezes, limita-se apenas a relatar o aumento das funcionalidades, ano após ano, que concorrem para uma realíssima interatividade que aparenta tornar as pessoas cada vez mais próximas através de tecnologias novas, mas pouco aprofunda-se em demonstrar como a utilização de informações dos usuários para gerar publicidade vem sendo prática usual das redes sociais de maneira pouco transparente, o que tem sido objeto de estudo apenas de reduzido número de pesquisadores sobre segurança on-line, como se vê na matéria da Ana Luiza Tieghi para a revista Espaço Aberto[3].
Santos explica que um dado essencial a respeito do consumo é que a produção do consumidor, hoje, precede à produção dos bens e serviços; vê-se que esta explicação é exata quando se examina as práticas invasivas das gigantes redes sociais, para não citar as empresas menores que espelham-se nas redes sociais quanto a forma de conhecer os hábitos dos consumidores; posto isto, invevitavelmente percebe-se que o fator da informação, além do dinheiro que quase sempre relaciona-se a ele, exige uma visão supraempreendedora ao estudioso mais sério dos caminhos do empreendedorismo, vez que nem sempre encontra em seu campo tais preocupações que não faltam a um cientista social ou a pesquisadores da tecnologia com sérias preocupações éticas.
Vale então nesse cenário, aos dispostos ao exame mais grave, mais conhecimento, reflexões e questionamentos sobre como as informações têm sido usadas nas empresas, pequenas ou grandes, a fim de tornar claro se elas têm servido à construção de um outro mundo em que se vê humanização ou apenas a um aumento de competitividade através da produção de consumidores de forma demasiadamente antiética.
Referências:
1. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 23. ed. Rio de Janeiro: Record, 2013. 174 p. ISBN 978-85-01-05878-2.
Sociologia do Conhecimento surge na primeira metade do século XX e, na condição de ramo da sociologia, procura teorizar e avaliar com a isenção e responsabilidade cultural comum aos sociólogos a respeito dos diversos campos do conhecimento, em facetas sociais que não podem escapar a um exame crítico competente.
Problema da Sociologia do Conhecimento
Mannheim, discorrendo acerca do problema de uma sociologia do conhecimento, reforça a popular constatação de que nada pode ser intelectualmente um problema se não tiver sido, antes, um problema da vida prática; cumpre, então, não apenas observar os problemas teóricos de um dado momento, mas levar em conta na mesma medida os problemas simultâneos da vida prática. Tal campo de visão, em resumo, constituirá para o sociólogo sua constelação de problemas a serem solucionados — termo inicialmente surgido na astrologia e adaptado para a disciplina sociológica.
Necessita-se, segundo o autor, não apenas catalogar as correntes de pensamento existentes e seus rumos, mas de que esta sociologia faça análise estrutural radical dos problemas de uma determinada época, sem deixar de levar em conta as tensões em que o cientista vive e como estas influenciam consciente ou inconscientemente seu pensamento (p. 16).
Ainda esforçando-se na problemática desta disciplina, traz à tona o fato de que, se em tempos idos, os indivíduos transcendiam o pensamento nas revelações religiosas, nos êxtases etc., agora a consciência foca-se na esfera histórica e social, tendo nela a primazia o fator econômico (p. 23).
Assinala enfim outros comentários razoáveis oriundos do olhar sociológico, como o fato de observadores inclinados à posição de pensamento de extrema esquerda ou extrema direita serem incapazes de pensar rotas históricas atravessadas por outros grupos, assumindo a posição implausível de conceber uma história das ideias sem a mais mínima intercomunicação de correntes diversas (p. 29).
Os pontos de vista filosófico-sistemáticos para a elaboração de uma sociologia do conhecimento que são considerados mais importantes por ele são:
Auguste Comte, formulador da doutrina positivista.
a) positivismo — corrente surgida no século XIX, idealizada principalmente por Auguste Comte e John Stuart Mill, que afirma ser o conhecimento científico, comprovado através de métodos válidos, o único verdadeiro;
Immanuel Kant, formulador do apriorismo.
b) apriorismo formal — linha da pensamento que, sendo uma mediação entre racionalismo e empirismo, também considera a experiência e o pensamento como fontes de conhecimento, todavia também com elementos a priori, ou seja, independentes da experiência;
Edmund Husserl, fundador da fenomenologia.
c) apriorismo material — ponto de vista que é associado à escola fenomenológica, que afirma a importância dos fenômenos da consciência humana e seu estudo;
Wilhelm Dilthey, conceituador do historicismo.
d) historicismo — corrente que busca a historização de todo pensamento sobre os seres humanos, suas culturas e seus valores, ainda afirmando que o panorama do mundo humano, tal como se apresenta em determinado momento, é sempre produto de processos históricos de formação, que podem ser reconstruídos pelo pensamento humano e tornarem-se inteligíveis.
Breve exposição da Sociologia do Conhecimento de Robert K. Merton
Robert K. Merton, expositor da Sociologia do Conhecimento.
Define inicialmente a palavra “conhecimento” relacionada a uma gama de produtos culturais, como ideias, ideologias, crenças jurídicas e éticas, filosofia, ciência, tecnologia etc. Faz lembrar os precursores da sociologia do conhecimento, como Ernest Gruenwald, seu primeiro historiador, e Whitehead, que mostra o espírito da disciplina ao constatar a diferença considerável entre se aproximar de uma teoria e captar-lhe a aplicação exata, pensamento que a história da ciência tem demonstrado (p. 81-82).
Paradigmas para a Sociologia do Conhecimento
Na primeira pergunta “Onde se situam as bases existenciais dos produtos mentais?“, coloca bases sociais, relativas à posição social, classe, geração, papel ocupacional, modo de produção, estruturas de grupo (universidade, burocracia, academias, seitas, partido político), situação histórica, estrutura de poder etc.
Também para esta pergunta são colocadas bases como valores: Ethos — termo que designa conjunto de traços e modos de comportamento que constituem o caráter ou identidade de uma pessoa ou coletividade[2] e que, no contexto sociológico, pode resumir-se como de síntese da identidade de um povo —, “clima de opinião”, Volksgeist — o espírito do povo, uma espécie de consciência popular que, segundo a Escola Histórica, seria anterior e superior ao Estado[3] —, Zeitgeist — termo que se refere ao clima intelectual e cultural de dada época, vem do alemão Zeit ‘tempo’ + Geist ‘espírito’[4] —, o tipo de cultura que, assim como valores, também é uma das constituintes etc.
A segunda pergunta que coloca é “Quais são os produtos mentais submetidos à análise sociológica?“, à qual sugere esferas de pensamento como crenças morais, ideologias, ideias, categorias de pensamento, filosofia e crenças religiosas, normas sociais etc., e aspectos analisados como sua seleção (focos de atenção), nível de abstração, pressupostos, conteúdos conceptuais etc.
A terceira pergunta do paradigma é “Como se acham os produtos mentais relacionados às bases existenciais?“, para a qual postula relações causais ou funcionais como determinação, causa, correspondência, condição necessária, interdependência funcional etc; relações simbólicas, expressivas ou orgânicas como consistência, harmonia, coerência, unidade, congruência, compatibilidade, expressão, percepção, expressão simbólica, identidades estruturais etc; termos ambíguos para designar as relações: correspondência, reflexos, ligados a, em estreita conexão com etc.
A quarta pergunta: “Por quê? Funções latentes e manifestas atribuídas a estes produtos mentais existencialmente condicionados“, à qual nomeia como atribuições manutenção de poder, promoção de estabilidade, facilitação de orientação ou exploração, ocultação de relações sociais efetivas, fornecimento de motivações, canalização de comportamentos etc.
Por fim, a quinta e última pergunta: “Quando se evidenciam as relações atribuídas entre a base social e o conhecimento?“, à qual coloca teorias historicistas, limitadas a sociedades ou culturas específicas e teorias analíticas.
Em que sentido poderia o empreendedor, sendo estudante de administração, economia, áreas afins, avançar nessa dimensão da sociologia, de modo a comprender-lhe os paradigmas?
Pode-se refletir de várias formas a respeito desta questão. Talvez de modo a compreender que seu empreendimento, qualquer que seja o tipo de atuação, não poderá negligenciar um exame crítico de prisma sociológico. Por conseguinte, não escapa também a ele entender e fazer a análise estrutural dos problemas do momento em que vive, tal como postula Mannheim, em especial aqueles que se manifestarão nos ambientes externo e interno da organização em que atua, principalmente o primeiro, que tende sempre a ser menos controlável do que compreensível. Poderá conscientizar-se melhor como cientista, atuante teórico e prático, que entende que todas as tensões de seu momento histórico, todas as crises políticas e sociais do ambiente externo terão reflexos no meio imediato em que trabalha, de forma que será um agente solucionador dos problemas práticos que lhe aparecem simultaneamente, no momento em que levanta questões teóricas e orienta-se intelectualmente.
Todas as cinco questões colocadas no paradigma por Merton são, nesse sentido, de inestimável valia, posto que reconhece-se facilmente que as bases sociais e culturais como posição social, modo de produção, estruturas de grupo, estrutura de poder, valores, ethos etc., devem ser constante e criticamente examinadas pelo empreendedor.
Desnecessário dizer que os pontos de vista filosóficos-sistemáticos mencionados por Mannheim têm grande relevância em diversos âmbitos do conhecimento na atualidade, publica-se e debate-se abundantemente a respeito deles, e que a aproximação do empreendedor dessas correntes, conforme suas possibilidades, é indispensável para que possa compreender a gama de produtos culturais — ideias, possíveis ideologias, crenças éticas, a filosofia, tecnologia etc. — de sua própria área atuação que carrega em sua Missão, Visão e Vaores.
O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade.
— Karl Mannheim
Referências:
MANNHEIM, Karl; MILLS, Charles Wright; MERTON, Robert K. Sociologia do conhecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. 143p.